o som que eu escuto...
quarta-feira, 27 de junho de 2012
chuva que cai
eu não tenho medo da chuva...
eu tenho medo é de não sentir os pingos caindo
sobre meu corpo cansado...
quem levamos no coração...
porque você é meu amigo de todas as horas...
porque me compreende quando nem eu...
porque me atura e me ama.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
esquina com o amor
.
e quando a noite chegou, ele a abraçou forte
era o primeiro do resto dos dias de ambos
e como fosse impossível prever
não durou mais que um breve piscar de olhos
na esquina do imprevisível com o inaceitável despediram-se
e... nunca mais amor
.
milena bandeira
e quando a noite chegou, ele a abraçou forte
era o primeiro do resto dos dias de ambos
e como fosse impossível prever
não durou mais que um breve piscar de olhos
na esquina do imprevisível com o inaceitável despediram-se
e... nunca mais amor
.
milena bandeira
já era tarde...
.
não era tarde.
era noite,
mas nem era tarde.
era o começo,
e como todo começo,
era bom.
não era dia.
era noite,
mas tarde da noite.
era o desenrolar dos fios
novelos emaranhados
era lindo.
não era noite.
era frio,
mas o peito ardia.
era a despedida
do que mal começara
era fim.
.
milena bandeira
não era tarde.
era noite,
mas nem era tarde.
era o começo,
e como todo começo,
era bom.
não era dia.
era noite,
mas tarde da noite.
era o desenrolar dos fios
novelos emaranhados
era lindo.
não era noite.
era frio,
mas o peito ardia.
era a despedida
do que mal começara
era fim.
.
milena bandeira
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
olhos insones
.
os olhos insones revelam o que eu não desejara
mais que palavras, rendo-me aos pedaços
nessa revelação insólita, indesejável, infantil
eu estava bem ali, assistindo minha queda
e foi real
e pareceu um sonho
e em ambos, você estava lá...
das noites em que morpheu não me visita
restam-me as olheiras, o vermelho da retina
lágrimas que embaçam o sol
e um gosto amargo de vida perdendo o sentido...
.
milena bandeira
os olhos insones revelam o que eu não desejara
mais que palavras, rendo-me aos pedaços
nessa revelação insólita, indesejável, infantil
eu estava bem ali, assistindo minha queda
e foi real
e pareceu um sonho
e em ambos, você estava lá...
das noites em que morpheu não me visita
restam-me as olheiras, o vermelho da retina
lágrimas que embaçam o sol
e um gosto amargo de vida perdendo o sentido...
.
milena bandeira
a roupa que não cabe mais...
.
o que fazer com a roupa que não cabe
o sapato apertado
o espelho embaçado
a angústia abafada?
o que fazer com os sonhos esquecidos
mil tesouros enterrados
e todos os planos adormecidos?
por que cada hora se precipita num assomo
e o tempo parece parar por um segundo,
exatamente aquele segundo em que me perco
inteira dentro de mim
estilhaçada demais para nós?
por que, no peito - totalmente enfurecido -
o velho coração insiste em bater?
.
milena bandeira
o que fazer com a roupa que não cabe
o sapato apertado
o espelho embaçado
a angústia abafada?
o que fazer com os sonhos esquecidos
mil tesouros enterrados
e todos os planos adormecidos?
por que cada hora se precipita num assomo
e o tempo parece parar por um segundo,
exatamente aquele segundo em que me perco
inteira dentro de mim
estilhaçada demais para nós?
por que, no peito - totalmente enfurecido -
o velho coração insiste em bater?
.
milena bandeira
desgaste
.
eu me desgasto em detalhes
procurando as chaves certas da porta errada
por onde jamais entrarei
eu me distraio em becos
tentando achar o que perdi
quando ainda entre os dedos o objeto desejado grita
eu me arrebento em fúrias insanas
entre paredes que nunca pintei
e me descubro frágil
eu me antecipo lúcida
além dos labirintos vencidos
e tudo parece um risco.
eu caio.
mas já se foram as mãos e as certezas.
.
milena bandeira
eu me desgasto em detalhes
procurando as chaves certas da porta errada
por onde jamais entrarei
eu me distraio em becos
tentando achar o que perdi
quando ainda entre os dedos o objeto desejado grita
eu me arrebento em fúrias insanas
entre paredes que nunca pintei
e me descubro frágil
eu me antecipo lúcida
além dos labirintos vencidos
e tudo parece um risco.
eu caio.
mas já se foram as mãos e as certezas.
.
milena bandeira
amores pretéritos
.
há amores que, mesmo pretéritos,
ainda iluminam a sala
esbarram em cortinas antigas
alteram a direção dos ventos
e se fazem presentes.
.
milena bandeira
ainda iluminam a sala
esbarram em cortinas antigas
alteram a direção dos ventos
e se fazem presentes.
.
milena bandeira
tinta frágil
.
eu me distraí em sonhos que não me pertenciam
eram ilusões escritas em papel, tinta frágil,
delicados dedos as cometeram...
e em pânico, ainda absorvida neste
estranho mundo que criou para nós,
eu não vi teus passos na calçada,
o ronco suave do motor arrancando...
não partindo apenas da garagem,
indo...
levando consigo o que havia de melhor em mim:
você.
.
milena bandeira
eram ilusões escritas em papel, tinta frágil,
delicados dedos as cometeram...
e em pânico, ainda absorvida neste
estranho mundo que criou para nós,
eu não vi teus passos na calçada,
o ronco suave do motor arrancando...
não partindo apenas da garagem,
indo...
levando consigo o que havia de melhor em mim:
você.
.
milena bandeira
tantos sonhos
.
tenho tantos sonhos dentro de mim
tanta coisa que lateja
e ameaça sair
e que pode ser para o bem
ou para o mal
eu tenho dentro de mim asas
ser alado dividido entre dois mundos
um pede para ficar
o outro para partir
eu tenho o mundo dentro de mim
mas não cabe mais no peito
.
milena bandeira
tanta coisa que lateja
e ameaça sair
e que pode ser para o bem
ou para o mal
eu tenho dentro de mim asas
ser alado dividido entre dois mundos
um pede para ficar
o outro para partir
eu tenho o mundo dentro de mim
mas não cabe mais no peito
.
milena bandeira
sábado, 3 de setembro de 2011
dentro do furacão
Talvez
eu até estrague tudo mesmo. E talvez, também, você tenha tentado de todas as
maneiras... Quem sabe é pra ser assim: eu não ter jeito de virar gente. E você
sempre insistindo em algo sem conserto: defeito de fabricação. Você sempre
espera a pessoa calma, tranquila, eternamente simpática, que fale pouco e
baixo, a compreensiva, a pessoa que não pode ter rompantes de raiva ou fúria.
Desculpe não ser quem você sonhou. Tantos
defeitos e falhas irreparáveis... É difícil pensar dessa maneira, mas talvez
não seja pra ser. Ou já tenha sido. Talvez tudo de bom, ou de possibilidades
futuras, tenham ficado no passado, quando você desistiu de nós. Quando tudo
parecia infinitamente perdido e incerto. Olhe pra hoje: agora sim, tudo parece
perdido e incerto... e ainda estamos aqui. Não somos os mesmos, não temos os
mesmos defeitos, não amamos direito. Porque eu acho, de verdade, que deve haver
um jeito certo de amar. Os sentimentos devem ser preservados. Nós não os
preservamos. Nós não nos preservamos. E tudo porque ainda temos medo de sermos
preenchidos por esse vazio que vez em quando nos assola... não era pra gente
ter medo do vazio, ou da chuva forte, ou das tempestades devastadoras... era
pra gente ter medo era de não amar mais. De não se amar mais... a vida toda
perdendo o sentido e nós aqui, de mãos atadas... pela nossa ignorância, falta
de vontade, e talvez, até, por amar de menos.
O seminário
Ela
acabara de assistir ao seminário sobre sua autora preferida. A alma
transbordava de euforia, êxtase. Essa já mencionada felicidade clandestina.
Dirigiu-se à renomada biógrafa com a intenção de um autógrafo. Eis que o
conseguiu. Entrou no elevador e todos os seus pensamentos se elevavam. O
silêncio reverberava dentro dela, fazendo tilintar suas ânsias secretas, seus
sonhos obscuros. Ela voava.
Abraçada
ao livro, caminhou em direção à saída. Lá fora, na calçada, o vento forte a
apanhou de assomo. E num átimo de segundo, desses instantes inusitados e
efêmeros que seguramos pela mão, ela se encheu de tristeza. Ela não sabia
explicar. Ela apenas sentia.
Sentou-se
calmamente no banco da praça. O vento ainda soprava forte. E frio. No céu, as
primeiras estrelas apareciam. Anoitecia. E dentro dela já era noite. Ela se
sentia incomodada. Não era o vento, não era a noite, não era a praça. Certos
descontentamentos lhe inebriavam os sentidos. Ela experimentou um frio lhe
percorrendo o corpo: a espinha, os joelhos, a boca do estômago.
Decidiu
telefonar para ele. Ela pensava em cinema, refrigerante, amor. Essas pequenas
cotidianices lhe prometiam felicidade efêmera. Ela lhe chamou para compartilhar
isto. Ele recusou. Melhor seria manter a distância entre eles. Ele a julgava
nociva. Entregar-lhe a alma, mostrar-lhe bons sentimentos o tornaria
vulnerável, a ela e ao velho relacionamento, já tão maltratado.
Ela
saiu da praça meio perdida, tentando assimilar as duras palavras dele. O som de
buzinas se misturava com o colorido dos faróis e semáforos. O vento balançava
as folhas novas das árvores centenárias. E os pingos de chuva recém caídos do
céu se misturavam com suas lágrimas, brotadas de uma face já abatida.
Segurando
o caderno contra o peito, não ouvia mais os sons angustiantes da cidade. Não
havia velocidade. E tudo se perdia entre esquinas, ônibus e bancas de revistas.
Seus passos se apressaram nas calçadas; era necessário chegar logo. Não se sabia
onde, mas era imprescindível que fosse logo.
Distraída
entre becos e soluços, não ouviu o som familiar, não viu a aflição no rosto dos
transeuntes ao atravessar a rua. Dentro dela, apenas um silêncio paralisante.
Ela finalmente estava livre.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
de ser reticência.

.
dentro de mim, abismos de palavras. uma milena nunca fica sem ter o que dizer. até peca pelo excesso, nunca pela falta. aqui estou eu, tão danificada - material defeituoso - não consigo me entregar às palavras ou deixá-las me invadir. tenho medo. elas, quando proferidas, goodbye, blue sky! não se volta ao ponto de partida. medida. intermédio entre pensar e falar. às vezes, seria melhor mesmo não tê-las, ficando assim um manifesto silenciado, buraco no meio do peito... algumas palavras jamais deveriam ter sido inventadas!
.
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