terça-feira, 8 de agosto de 2006

Ato I – Falar


Vontade de falar. Coisas que me vêm à cabeça. Coisas sem razão. Falar o que não se pode falar. Falar pelo “mero” ato de falar. Falar o que insisto em calar. Vontade de falar das rosas. Poesias vermelhas expostas em carne viva, fogo, ferro, brasão. Falar do que se duvida. E do que se tem certeza. Falar, falar, falar. E até falar em vão. Mas falar, mesmo calada. Falar, mesmo cansada. Falar banalidades. Falar palavrão. Falar da palavra. Metalinguagem criativa. Sílabas corrosivas. Falar absurdos para insultar os ouvidos alheios. E falar de amor e amar. Somente falar, porque amar está muito difícil, e o amor, muito caro. Falar de meninas, meninos, tesão. Falar de sexo. De fome. De delírio. Desfalar. E falar de novo. E mais. E sempre. E não parar nunca. Falar por falar. Sem querer mudar o mundo com palavras repetidas, jogadas ao vento. Falar da poesia que há na rede estendida na sala. Falar da preguiça de manhã, dos calafrios banais, das culpas cotidianas. Falar só para falar. Falar sem medo de repressão. Falar exatamente o que se pensa: supetão! Vontade de falar. Falar para que me entendas. Falar para que me prendas por atentado ao pudor. Falar para que se surpreendas com a minha voz e, só assim, decida ficar. Ficar e falar sobre nós. Palavras faladas, recitadas a sós...


terça-feira, 27 de junho de 2006

10 meses sem meu bebê.


Pedaço de Mim

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior
tormento
É pior do que o
esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um
barco
Que aos poucos descreve um
arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de
mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um
parto
A saudade é arrumar o
quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior
castigo
E eu não quero levar
comigo
A mortalha do amor
Adeus

Chico Buarque

Enzo Gabriel, meu filho.

II Encontro Mestres do Mundo


Hoje começa o II Encontro Mestres do Mundo em Limoeiro do Norte. Explicar como me sinto sendo que hoje faz exatos 10 meses que estou sem meu bebê? Sinto muito não conseguir exteriorizar tudo. Talvez eu precisasse, mas não dá. O processo contra o Governo do Estado está correndo. Mas na justiça... sabem como é. Eu até poderia dizer que o rpocesso tá andando. Nenhuma novidade. O jeito é esperar. Enquanto isso, é torcer pra que tenha empresas bastante competentes e responsáveis nesse evento.

Apesar de tudo, desejo muito boa sorte aos Mestres do Mundo, que nada têm com as catástrofes da vida.

Adeus, meu príncipe!!!

 
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